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Hondurenhos votam em eleição renhida entre receios de fraude

16:12
Hondurenhos votam em eleição renhida entre receios de fraude
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Os hondurenhos vão às urnas para eleger um novo presidente numa disputa renhida que ocorre no meio de preocupações com a fraude eleitoral no país centro-americano empobrecido.

As urnas abriram no domingo às 7h00 locais (13h00 GMT), para as 10 horas de votação, sendo os primeiros resultados previstos para a noite de domingo.

A maioria das sondagens mostra um empate técnico entre três dos cinco candidatos: o ex-ministro da Defesa Rixi Moncada, do partido de esquerda no poder Liberdade e Refundação (LIBRE); o ex-presidente da Câmara de Tegucigalpa, Nasry Asfura, do Partido Nacional, de direita; e o apresentador de televisão Salvador Nasralla, do Partido Liberal, ao centro.

As eleições, nas quais serão também escolhidos os 128 membros do Congresso, centenas de presidentes de câmara e milhares de outros funcionários públicos, decorrem num clima altamente polarizado, com os três principais candidatos a acusarem-se mutuamente de conspiração para fraude. Moncada sugeriu que não reconhecerá os resultados oficiais.

A atual presidente, Xiomara Castro, do partido LIBRE, está limitada por lei a um único mandato.

A Procuradoria-Geral das Honduras, alinhada com o partido no poder, acusou os partidos da oposição de planearem fraude eleitoral, alegação que negam.

Os procuradores abriram uma investigação sobre gravações de áudio que alegadamente mostram um político de alto nível do Partido Nacional a discutir planos com um oficial militar não identificado para influenciar a eleição.

As alegadas gravações, que o Partido Nacional afirma terem sido criadas com recurso a inteligência artificial, tornaram-se centrais na campanha de Moncada.

As tensões políticas contribuíram para uma crescente desconfiança do público em relação às autoridades eleitorais e ao processo eleitoral em geral. Também se registaram atrasos na distribuição do material de votação.

“Esperamos que não haja fraude e que as eleições sejam pacíficas”, disse Jennifer Lopez, uma estudante de Direito de 22 anos em Tegucigalpa. “Este seria um grande passo para a democracia no nosso país.”

No meio de um clima tenso, 6,5 milhões de hondurenhos vão decidir entre continuar com a agenda social e económica de esquerda de Castro ou migrar para uma agenda conservadora, apoiando os partidos Liberal ou Nacional.

Castro, a primeira mulher a governar as Honduras, aumentou o investimento público e as despesas sociais. A economia cresceu moderadamente e a pobreza e a desigualdade diminuíram, embora ambas se mantenham elevadas. O Fundo Monetário Internacional (FMI) elogiou a gestão fiscal prudente do seu governo.

A taxa de homicídios no país também desceu para o nível mais baixo da história recente, mas a violência persiste.

A Organização dos Estados Americanos (OEA) manifestou preocupação com o processo eleitoral e a maioria dos seus membros, numa sessão extraordinária esta semana, pediu ao governo que realize eleições livres de intimidação, fraude e interferência política.

O Secretário de Estado Adjunto dos EUA, Christopher Landau, também alertou na X que os Estados Unidos responderão “rápida e decisivamente a qualquer pessoa que prejudique a integridade do processo democrático nas Honduras”.

O presidente norte-americano, Donald Trump, apoiou Asfura, publicando nas redes sociais que “se ele não ganhar, os Estados Unidos não vão desperdiçar dinheiro”.

As Honduras, onde seis em cada dez cidadãos vivem na pobreza, sofreram um golpe de Estado em 2009, quando uma aliança de militares de direita, políticos e empresários derrubou Manuel Zelaya, marido da actual presidente.

Em 2021, os eleitores hondurenhos deram a Castro uma vitória esmagadora, pondo fim a décadas de governação dos partidos Nacional e Liberal.



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